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Num barco, no mar revolto de palavras

Um texto só sobrevive, se arrebanhar um leitor!!!!
Um leitor só existe, se alguém escrever!!!


quinta-feira, 12 de setembro de 2024

 

 

O Amor Como Vício

Soneto de Abertura**

 

O amor é uma droga... 

É o meu maior vício! 

Eu me viciei nessa droga! 

O coração em solstício, 

 

Desregulada e muito louca!! 

Eu quero dele agora a boca! 

É já! Minha vontade é o agora!!! 

Quero-a por todas as horas. 

 

Meu vício é ele! O meu bem 

E meu mal! Quero-a e não vem 

Agora a sua boca para meu bem!! 

 

Ora, amor é a pedra no meu caminho! 

Quem mandou ele fomentar meu ninho? 

Foi só para me deixar nesse descaminho? 

(Sartório Wilen)

 

 

       Uma Dependência sem Fim

 

Eram quase três da manhã, e Carla ainda estava acordada. O quarto escuro parecia apertá-la, como se as paredes se fechassem um pouco mais a cada segundo. A janela aberta deixava entrar a brisa fresca da madrugada, mas o coração dela batia forte, quente, como se estivesse preso em um inferno particular. O celular, jogado ao lado da cama, piscava de vez em quando, entretanto nunca com a notificação que ela desejava.

 

— Ele não vai responder... — murmurou, frustrada, jogando-se de volta no travesseiro.

 

Carla estava obcecada. Obcecada por Daniel, o homem que a enfeitiçara desde o primeiro beijo. A sensação era incontrolável, como se uma força invisível a puxasse para ele, não importava o que fizesse. Era um vício que a corroía lentamente, um desejo constante de estar perto dele, sentir seu toque, ouvir sua voz.

 

Aquele silêncio era insuportável. Sentia que cada segundo sem uma mensagem dele, era um ataque à sua sanidade. Queria, precisava, que ele falasse com ela, que estivesse presente, que a quisesse da mesma forma que ela o queria. porém as horas passavam, e nada... Uma angústia profunda tomava conta de seu peito e seus pensamentos giravam em torno do que ele poderia estar fazendo, ou pior, com quem.

 

De súbito, seu telefone vibrou. Ela saltou da cama, ansiosa, mas ao ver a tela, a decepção foi imediata. Era apenas uma mensagem de trabalho.

 

— Droga! — exclamou, sentindo uma onda de raiva atravessá-la.

 

Sentiu-se desamparada, como se estivesse à mercê de algo maior do que ela própria. A sensação era quase física, como uma droga. "O amor é uma droga", pensou. "E eu estou completamente viciada."

 

O dia em que conheceu Daniel parecia tão distante, contudo, a lembrança ainda era vívida. Ele se apresentou charmoso, envolvente, parecia entender seus desejos mais íntimos. E então, com o passar do tempo, a atenção foi diminuindo. As mensagens, que antes eram constantes, tornaram-se espaçadas. As promessas de encontros transformaram-se em desculpas vagas. No entanto, mesmo sabendo disso, Carla não conseguia se desvencilhar da necessidade de ter Daniel por perto. O vício era maior que ela.

 

— Eu preciso de você — ela disse em voz alta, como se as palavras pudessem atravessar o espaço e o tempo até ele.

 

Lembrou-se das noites que passaram juntos, de como ele a fazia rir e como, de alguma forma, sempre parecia escapar quando as coisas ficavam sérias. Como se ele soubesse o poder que tinha sobre ela, e isso o fizesse manter distância, mantendo-a sempre na linha tênue entre o desejo e a frustração.

 

— Meu vício... meu bem... e meu mal — sussurrou Carla, quase sem perceber.

 

Ela levantou-se da cama, incapaz de ficar parada. Caminhou pelo apartamento, o coração apertado, como se cada passo fosse uma busca por algo inalcançável. O eco de seus sentimentos reverberava em cada canto da casa. "Quero-o por todas as horas... mas ele não vem!!!!!!!"

 

Carla passou as mãos pelos cabelos, os olhos agora lacrimejando. Era como se estivesse presa em um ciclo, um labirinto emocional do qual não conseguia escapar. "Amor é a pedra no meu caminho!!!", pensou, repetindo para si mesma. Cada passo que tentava dar para seguir em frente, era barrado pelo próprio desejo de ter o amado de volta.

 

Ela pegou o telefone de novo, hesitante. As horas avançavam e, no fundo, sabia que enviar outra mensagem seria inútil. Mas, como todo vício, o impulso era maior que a razão. Digitou rápido, um pedido simples: "Você vem hoje?"

 

Silêncio. Mais uma vez, silêncio.

 

— Quem mandou ele fomentar meu ninho? — murmurou, ecoando a pergunta que atormentava sua mente.

 

Já havia internalizado tudo mentalmente, como se tudo tivesse sido feito para deixá-la nesse estado de desespero. Como se ele tivesse, deliberadamente, plantado a semente do vício em seu coração, apenas para depois a abandonar. E agora, sozinha em seu apartamento escuro, Carla se perguntava se algum dia conseguiria se libertar desse amor.

 

O celular vibrou novamente. Dessa vez, o nome que tanto esperava, apareceu na tela.

 

— Estou na rua de baixo. Desce.

 

Carla sorriu, aliviada. Mesmo sabendo que a resposta, essa atenção momentânea, não resolveria nada, sentiu-se aliviada. Pelo menos por esta noite, o vício seria saciado. Amanhã? Amanhã seria outro dia, com suas próprias dúvidas e inquietações.

 

Ela pegou a chave e saiu porta afora. O amor, pensou, é o vício mais devastador que existe. Mas também é o único do qual, talvez, nunca quisesse realmente se curar.

 

Comentários

O soneto, integrado à narrativa, reflete perfeitamente os sentimentos de Carla. O amor como droga e vício, a obsessão pela presença do outro, a dor causada pela ausência, e a sensação de estar em um descaminho emocional são sentimentos explorados tanto no poema quanto na história. O ciclo vicioso de dependência é a base da trama, e o soneto, posicionado no início, serve como um prenúncio poético da trajetória emocional de Carla.

 

Título: O Amor Como Vício

 

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**Soneto de Abertura** 

 

O amor é uma droga... 

É o meu maior vício! 

Eu me viciei nessa droga! 

O coração em solstício, 

 

Desregulada e muito louca!! 

Eu quero dele agora a boca! 

É já! Minha vontade é o agora!!! 

Quero-a por todas as horas. 

 

Meu vício é ele! O meu bem 

E meu mal! Quero-a e não vem 

Agora a sua boca para meu bem!! 

 

Ora, amor é a pedra no meu caminho! 

Quem mandou ele fomentar meu ninho? 

Foi só para me deixar nesse descaminho? 

 

(Sartório Wilen)

 

Análise Estrutural e Psicológica do Texto

Estrutura do Soneto

O soneto segue a tradicional forma de 14 versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos, o que oferece uma estrutura clássica à poesia. Os quartetos estabelecem o tema principal, neste caso, o amor como vício e fonte de descontrole emocional, enquanto os tercetos concluem a reflexão com um tom de frustração e questionamento.

Primeiro Quarteto: 

  O amor é imediatamente comparado a uma droga, algo viciante que domina a vida da pessoa. A ideia de "vício" aqui reflete uma dependência incontrolável, uma entrega absoluta a algo que está além do controle racional. O uso de "solstício" sugere um ponto de mudança extrema, talvez a oscilação entre os polos do prazer e da dor no amor.

 

Segundo Quarteto: 

Aqui, o desejo toma o palco, personificado pela urgência em obter o outro. A linha "Minha vontade é o agora!!!" transmite a natureza impulsiva desse desejo, como um vício que não pode esperar. O excesso de exclamações intensifica o sentimento de desespero e necessidade imediata.

Primeiro Terceto:

O vício é novamente reforçado, mas agora com a frustração da ausência. O sujeito deseja a presença e o contato físico (a boca) do outro, mas esse desejo não é satisfeito. O conflito entre querer e não ter se estabelece, mostrando a natureza ambígua do amor, tanto "bem" quanto "mal" ao mesmo tempo.

Segundo Terceto:

  O encerramento do poema é uma reflexão sobre a armadilha do amor. A metáfora da "pedra no caminho" é uma alusão ao obstáculo que impede o sujeito de seguir em frente. A ideia de que o amor fomenta um "ninho" sugere uma falsa sensação de segurança ou lar, que na realidade leva ao "descaminho", ou seja, à perda de direção na vida emocional.

Análise Psicológica

A narrativa e o poema tratam de um estado psicológico de dependência emocional e de como o amor pode se transformar em algo que subjuga a mente e o corpo. Carla, a protagonista da narrativa, é uma representação vívida do que o soneto descreve: uma pessoa que não consegue controlar sua obsessão amorosa. Ela está presa em um ciclo de desejo e frustração, similar ao uso de uma droga.

A dependência emocional pode ser descrita como um estado em que a pessoa se torna incapaz de encontrar satisfação ou completude sem o outro. No caso de Carla, o amor por Daniel não é apenas um sentimento, mas uma necessidade compulsiva, um vício que controla sua vida. O ciclo de espera, frustração e alívio momentâneo com a atenção de Daniel espelha o ciclo de vício descrito no poema.

Neurociência e o Amor como Vício

A experiência de Carla e o tema do soneto têm paralelos diretos com o que a neurociência entende sobre o amor e a dependência. Estudos sobre o cérebro mostram que o amor romântico, ativa regiões semelhantes àquelas envolvidas no vício em drogas, especialmente o sistema de recompensa, que inclui o núcleo accumbens (centro do prazer) e o córtex pré-frontal. Estes são os mesmos circuitos ativados pelo uso de substâncias como cocaína e álcool.

1. - Dopamina:

   Quando Carla espera uma mensagem de Daniel, o cérebro dela provavelmente está inundado de dopamina, o neurotransmissor associado à expectativa de recompensa. A dopamina é responsável pela sensação de prazer e antecipação, e quando o desejo é frustrado, como quando Daniel não responde, ocorre um “déficit de dopamina”. Isso cria uma sensação de desconforto e insatisfação, semelhante à abstinência em vícios físicos.

2. - Ciclo de Recompensa:

   O vício emocional de Carla é reforçado toda vez que Daniel responde ou dá qualquer sinal de atenção. Esse “reforço intermitente” é extremamente poderoso, pois o cérebro recebe a recompensa de forma imprevisível, o que aumenta ainda mais a compulsão. A incerteza de quando (ou se) Daniel vai responder faz com que o cérebro de Carla busque continuamente aquela dose de dopamina, criando um ciclo que é difícil de quebrar.

3. - O Papel do Córtex Pré-Frontal:

   O córtex pré-frontal, que é responsável pelo controle de impulsos e pelo planejamento a longo prazo, é muitas vezes “sequestrado” em estados de amor obsessivo. Isso explica por que Carla continua a enviar mensagens a Daniel mesmo sabendo que isso não resolverá o problema. Ela não consegue “racionalizar” seu comportamento, porque sua mente está dominada por impulsos emocionais.

4. - Desregulação Emocional: 

   No poema, o coração é descrito como "em solstício", indicando uma desregulação emocional extrema. Isso pode ser interpretado como uma metáfora para o estado de desequilíbrio do sistema límbico, onde as emoções são processadas. Pessoas em relacionamentos obsessivos, como Carla, frequentemente sofrem de altos e baixos emocionais intensos, semelhantes a uma "montanha-russa" emocional, exatamente como o soneto descreve.

Análise mais Profunda

O texto que acompanha o soneto e a história de Carla são representações profundas da natureza humana em face do amor e da dependência emocional. Carla, assim como o eu lírico no soneto, sente-se aprisionada por um amor que não é recíproco de maneira satisfatória. Ela experimenta uma necessidade constante, como se o outro fosse a única fonte de prazer, apesar de essa dependência também trazer sofrimento.

O estado emocional de Carla é tipificado pela "urgência do agora", a necessidade imediata de alívio que só o contato com Daniel pode proporcionar. Isso reflete a natureza cíclica dos relacionamentos disfuncionais, onde os momentos de satisfação são curtos e seguidos por longos períodos de angústia e espera.

Do ponto de vista psicológico, Carla está presa em um relacionamento que segue o modelo da dependência emocional. O "descaminho" descrito no soneto é o resultado de uma idealização irrealista do outro, que fomenta um ninho de ilusões, mas nunca entrega a estabilidade emocional prometida.

Conclusão

A estrutura do soneto complementa e enriquece a narrativa, funcionando como um espelho poético da jornada emocional de Carla. Ambas as formas artísticas (narrativa e soneto) exploram as complexidades do amor obsessivo, as armadilhas psicológicas da dependência emocional, e os efeitos neurobiológicos dessa experiência. O uso de figuras de linguagem, como "droga", "vício", e "pedra no caminho", contribui para uma compreensão mais profunda das emoções humanas envolvidas. A história de Carla, assim como o soneto, revela que o amor, quando transformado em dependência, pode ser tanto uma fonte de prazer quanto de dor, aprisionando a mente e o coração em um ciclo difícil de escapar.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

 

A cabeça cheia de metáforas

Este monte de papel encadernado é uma chave de alguma porta... Este caminhar é pelas palavras... Estas passadas serão para o futuro... Este palco será meu lar... Estas luzes iluminarão as minhas palavras... Da minha cabeça voarão palavras mais velozes para as páginas dos próximos livros...

Entretanto eu garanto e posso dizer, meu Caro Leitor, em vozes veladas e em veladas vozes que naveguei num mar de palavras e cheguei em Portugal. Agradeci a Pedro Alvares Cabral por ter descoberto o Brasil e a Dom Pedro por ter dado o Grito do Ipiranga! Agradeci também a Luís Vaz de Camões pelas rimas e pelos sonetos. Desci das nuvens esquiando sobre os pingos da chuva como as lágrimas de alegria de um céu emocionado, pela descoberta, de que ainda, existe poetas que valorizam um céu estrelado e, mais ainda, que dele chove, em lágrimas, por ter encontrado as metáforas junto às figuras de linguagem, para num ato heroico brado retumbante, transformar um texto narrativo numa prosa poética.

Para chegar ao Brasil, passei muito além da dor pelo Bojador e, a nado no oceano de palavras no Aurélio, atravessei o universo da semântica. Mas antes para me preparar e, também, para me relaxar para o por vir, joguei truco em forma prosa com Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caieiro e Bernardo Soares e o chefão. Depois troquei várias figurinhas e algumas rimas com todo poderoso Fernando Pessoa! Despedi-me do Poeta e saí dessa visita um convicto contumaz de que ele realmente é um fingidor.

Já no Brasil, no Rio de Janeiro joguei truco com Álvares de Azevedo e dancei uma valsa com a caneta tinteiro em parceria com José de Alencar, visitei o Bruxo do Cosme Velho na Academia Brasileira de Letras, passei pelo quartel e bati continência para o Sargento de Milícia e no final a metonímia surgiu em forma de pergunta 'E agora José?"

O livro findou, a rima acabou, os versos se foram, as forças se esvaíram, a cabeça acusou falhas, sobrou só e apenas este pequeno texto com estas metáforas que passaram pelas escritas de Santiago Derin.

(Sartório Wilen)

 


 Evento de profissional

Desde cedo, o talento de Joaquim já brilhava como uma estrela no céu da infância. Se você duvida, ouça este relato. O pequeno Joaquim, ainda um bebê, foi levado pelo pai ao bar para assistir ao jogo do São Paulo, rodeado pela fervorosa torcida tricolor. Ao chegar, o pai desceu do carro e, como um troféu precioso, carregou o menino até os degraus. Lá, entregou o mini torcedor para a esposa do dono do boteco, que, com carinho, o acomodou em seu andador. Como se fosse um maestro prestes a reger uma sinfonia, Joaquim foi solto no salão do bar.

O menino, com a determinação de um veterano, engatou as marchas de motivação, uma atrás da outra, e começou a mover-se pelo espaço, arrastando mesas e cadeiras como se fossem peças de um quebra-cabeça. Cada movimento era preciso, orquestrando o ambiente para deixar o centro livre, pronto para a grande comemoração que se avizinhava. Os olhares dos presentes se entrecruzaram, percebendo, naquele instante, que Joaquim não era apenas um bebê; ele já exibia um talento natural para organizar eventos, um pequeno prodígio em ascensão.

Com o início do jogo e o salão meticulosamente preparado, a torcida animada acompanhava cada lance, soltando palavrões a cada erro do atacante são-paulino. E então, algo inesperado: Joaquim, como um pequeno guardião da moralidade, abria um choro estridente que cortava o ar como uma navalha, até que os incomodados cessassem seus comentários rudes. Era como se ele soubesse, em sua inocência, que aquilo não era só falta de educação, mas também um desrespeito ao espaço público. A mensagem era clara: se quiser falar o que pensa, que o faça em particular!

A dona do bar, impressionada com a moralização inesperada do ambiente, observava encantada. Na hora do gol do São Paulo, o bar explodiu em alegria, e Joaquim, sem perder o ritmo, gritava e ria, correndo de um lado a outro com seu andador, interagindo com os fregueses como se fosse o anfitrião da festa. A cada gol, recebia abraços e beijos, seu riso se espalhando pelo salão como um contagiante eco de felicidade. O círculo de alegria e motivação parecia não ter fim: a cada nova comemoração, Joaquim se lançava em uma espiral de riso e energia, uma verdadeira festa ambulante.

No término da goleada do São Paulo, exausto de tanto rir e celebrar, Joaquim adormeceu no colo da dona do bar, como se todo o esforço de um dia de trabalho tivesse sido recompensado com o descanso mais doce. O pai, imerso na alegria da vitória e aliviado por não ter que se preocupar com o bebê de dez meses, abraçava os torcedores como se fossem velhos amigos, esquecendo momentaneamente do filho. A surpresa veio na hora de ir para casa: Joaquim, já trocado e pronto para dormir, havia recebido uma fralda emprestada pelo neto da senhora do bar.

Ao chegar em casa, a mãe, que passara esse período em meio à preocupação de que os rojões pudessem assustar o menino, preparava-se para levá-lo à benzedeira na segunda-feira. Mas, ao ver Joaquim tão tranquilo, uma pontada de desconfiança a atravessou. Cheirou-lhe a boca, buscando qualquer indício de que algo estivesse errado, mas só encontrou o delicioso aroma de chocolate. E a surpresa maior veio quando soube que seu filho havia sido "contratado" para organizar os próximos eventos da torcida do São Paulo, cuidando do comportamento e da moralidade dos participantes. Juro que é verdade, e dizem que até existe um projeto de lei para legalizar eventos monitorados pelo pequeno Joaquim.

(Santiago Derin)


Uma Análise – para quem gosta!!!

Estrutura e Narrativa

O texto se desenvolve como uma crônica leve e bem-humorada, utilizando uma estrutura linear com início, meio e fim bem definidos. Ele narra um evento aparentemente comum, mas transforma-o em algo especial ao focar na experiência de um bebê em um ambiente adulto. A narrativa é contada por um narrador onisciente, que acompanha e interpreta os acontecimentos com um toque de humor e ironia.

O texto começa com uma premissa intrigante, sugerindo que o talento do pequeno Joaquim já é evidente desde a infância. Isso cria uma expectativa no leitor, preparando-o para um relato curioso e divertido.

Quanto ao que se refere ao desenvolvimento da narrativa é onde o talento de Joaquim se revela. Através de ações simples, como arrastar mesas e reagir ao comportamento da torcida, o menino se destaca e ganha a atenção dos adultos. As descrições enfatizam o impacto de suas ações no ambiente e nos personagens ao seu redor.

Já o desfecho se apresenta na forma de inesperado e cômico. Joaquim, depois de um dia agitado, é "contratado" para eventos futuros, o que reforça a ideia de que seu talento é realmente notável, ainda que de uma forma irônica e exagerada.

Figuras de Linguagem e Estilo

O texto utiliza várias figuras de linguagem para enriquecer a narrativa e destacar a singularidade de Joaquim, por exemplo, na Metáfora - "O talento de Joaquim já brilhava como uma estrela no céu da infância" - Aqui, o talento de Joaquim é comparado a uma estrela, sugerindo algo natural e inevitável. - "Como um maestro prestes a reger uma sinfonia" - Essa metáfora reforça a ideia de que Joaquim, mesmo sendo um bebê, tem controle e propósito em suas ações.

Quanto a Comparação - "Como se fosse um maestro" - A comparação destaca a habilidade natural de Joaquim em organizar o ambiente ao seu redor. Na Hipérbole - "Seu riso se espalhando pelo salão como um contagiante eco de felicidade" - O riso de Joaquim é exagerado para enfatizar o impacto emocional que ele causa nos presentes. -Destaca até um absurdo -  "Existe até um projeto de lei para legalizar eventos monitorados pelo pequeno Joaquim" - Essa hipérbole é usada de forma humorística, sublinhando o quanto o talento de Joaquim foi levado a sério, de forma exagerada.

No que se refere Ironia - O fato de Joaquim, um bebê, ser contratado para organizar eventos é uma ironia central do texto, que joga com a ideia de que mesmo uma criança pode ser vista como um profissional, dependendo da perspectiva.

Temática e Intencionalidade

O texto explora a ideia de talento inato e como ele pode se manifestar de maneiras inesperadas. Através da figura de Joaquim, a narrativa questiona as expectativas que temos sobre habilidades e responsabilidades, mostrando que, em certos contextos, até mesmo um bebê pode se destacar e ser valorizado. Além disso, há uma crítica sutil ao comportamento adulto, especialmente em espaços públicos. A reação de Joaquim aos palavrões, por exemplo, coloca em questão o que é considerado apropriado em diferentes ambientes e como a moralidade pode ser percebida através dos olhos de uma criança.

Dimensão Emocional e Psicológica

O texto brinca com as emoções de maneira eficaz. Joaquim, embora seja um bebê, é retratado como uma figura central que afeta os outros personagens, tanto emocionalmente quanto ao aspecto comportamental. A narrativa cria uma relação de empatia entre o leitor e Joaquim, especialmente através de suas reações ao comportamento dos adultos. Quanto ao uso do humor e da leveza ajuda a suavizar a crítica implícita ao comportamento da torcida, enquanto a figura de Joaquim serve como um espelho para refletir sobre nossas próprias ações e responsabilidades. O final, com Joaquim adormecendo pacificamente, oferece um fechamento emocionalmente satisfatório, que contrasta com o tumulto e a agitação anteriores, destacando a inocência e a pureza infantil como elementos redentores.

Neurociência e Desenvolvimento Infantil

Embora o texto não aborde explicitamente aspectos da neurociência, ele toca em temas relevantes ao desenvolvimento infantil. Joaquim, apesar de sua idade, demonstra uma capacidade notável de influenciar o ambiente ao seu redor, o que pode ser visto como uma representação de como as crianças, mesmo muito jovens, são sensíveis às interações sociais e às normas culturais. A resposta emocional de Joaquim ao comportamento inadequado dos adultos é um exemplo de como as crianças captam e reagem a estímulos emocionais e sociais desde cedo. Essa sensibilidade pode estar ligada ao desenvolvimento das funções executivas e ao aprendizado de regras sociais, aspectos cruciais para a formação da moralidade e da ética.

Por fim na conclusão o texto "Evento de profissional" é uma crônica bem-humorada e bem elaborada, que utiliza figuras de linguagem e uma narrativa leve para explorar temas como talento inato, moralidade, e o comportamento humano em espaços públicos. Através da figura de Joaquim, o autor consegue entreter o leitor enquanto provoca reflexões sobre as expectativas sociais e o desenvolvimento infantil. A inclusão de humor e ironia torna o texto cativante, e a estrutura bem definida garante que a mensagem seja clara e impactante.

 


domingo, 25 de agosto de 2024


 

 

 Texto Teatral - "Um Índio"


 

[Cena única]

(Um garoto entra em cena cantando uma música sobre índios. Sua vestimenta é um traje tradicional indígena. Uma garota entra logo depois, observando-o com curiosidade.)

 

Garota: (Intrigada) Por que esse traje? E essa alegria toda?

Garoto: (Com um ar de superioridade) Não sabe? (Fala baixo para o público) Como tem gente ignorante neste mundo... (Voltando-se para a garota) Essa é uma vestimenta indígena, claro.

 

Garota: Isso eu sei! O que me surpreende é você estar usando isso.

Garoto: (Para o público) Como tem gente desinformada... (Para a garota) Então você realmente não sabe? Hoje é Dia do Índio!

 

Garota: Isso eu também sei!

Garoto: Então por que você perguntou?

Garota: Só para ver se você sabia!

Garoto: Se eu não soubesse, não estaria vestido assim, certo?

Garota: Errado! Pelo visto, você não sabe nada.

Garoto: (Para o público) Meu pai sempre disse que mulher é complicada... (Para a garota) Ô anta! Se estou vestido de índio, é porque eu sei, sim!

 

Garota: (Com um ar de desafio) Você conhece Gonçalves Dias?

Garoto: Gonçal...ves... Uma vez meu pai mencionou esse nome... Ele não jogou no Corinthians?

 

Garota: (Exasperada) Que Corinthians, moleque?! Estou falando do poeta! O autor dos versos "Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá".

Garoto: E você conhece o Serjão Boca de Pilão?

 

Garota: Nunca ouvi falar... Quem é ele?

Garoto: Ele é o autor dos versos "Minha terra tem Corinthians que nasceu para golear!" (Ri sarcasticamente para o público)

 

Garota: Eu não estou brincando!

Garoto: Nem eu. (Ligeiramente sério)

Garota: E "O Guarani", conhece?

Garoto: Claro que conheço! Meu time já ganhou várias vezes desse time.

 

Garota: (Impaciente) Não estou falando de futebol! Estou falando da obra de José de Alencar.

Garoto: José de Alen... Ah! O marido da Gertrude, o engenheiro que mora na esquina?

Garota: (Para o público) Um exemplo acabado de alienação... (Voltando-se para ele) E Jorge Benjor, conhece?

Garoto: Cantor de rap, né?

 

Garota: Caetano Veloso?

Garoto: Funcionário do meu pai... Não! Aquele que é Caetano Pedroso...

Garota: (Com um suspiro) É por isso que eu disse que você não sabe nada.

Garoto: Se você já sabia minhas respostas, por que fez as perguntas?

 

Garota: Porque você não está sendo você...

Garoto: (Confuso, para o público) Acho que essa garota pirou de vez!

Garota: Você, neste instante, está representando toda a ideologia dominante deste país...

Garoto: Epa! Nunca me falaram disso...

 

Garota: Pois eu estou falando! E não só para você, mas para eles também! (Aponta para o público) Jorge Benjor já dizia: "Todo dia era dia de índio." No Brasil, antes da colonização, cada dia era dia de índio. Mas, quando o branco chegou, reduziu isso a um único dia no ano!

Garoto: (Pensativo) E os outros 364 dias do ano, são de quem?

Garota: Agora você está começando a entender... Esses dias foram roubados dos índios e entregues ao branco. Gonçalves Dias cantou o índio em poesia. Sabia que ele escreveu sobre eles?

 

Garoto: (Ainda confuso) Acho que meu pai não comprou esse CD...

Garota: Não é CD, é literatura! José de Alencar transformou o índio em herói nacional. Peri, de "O Guarani", é um exemplo disso. E sabia que já tivemos um índio como deputado federal? O Cacique Juruna, que gravava as promessas dos políticos brancos para tentar garantir os direitos indígenas.

Garoto: E ele conseguiu?

Garota: Infelizmente, não. Os brancos ridicularizaram o Cacique até destruírem sua carreira política.

 

Garoto: Nossa! Os brancos pegam pesado...

Garota: Caetano Veloso escreveu uma música chamada "Um Índio". Nela, ele prevê o dia em que um índio descerá de uma estrela colorida e surpreenderá o branco, não pelo exotismo, mas por dizer o óbvio: o branco, ao tentar enganar e marginalizar o índio, está destruindo a si próprio. O índio representa a pureza da natureza humana. Ele é amor, respeito, e sua sociedade é um exemplo de modernidade. O branco, em sua arrogância, está jogando fora a oportunidade de aprender com isso e, assim, perder a chance de ser verdadeiramente feliz.

 

Garoto e Garota (em uníssono): Ouçam a música! E reflitam sobre esse Índio!

(Ambos olham para o público, a cena termina com uma música indígena tocando ao fundo, enquanto as luzes diminuem.)

 

(Ademar Oliveira de Lima)

sábado, 8 de abril de 2017

Assim!!! Disse o Nário

Assim!!! Disse o Nário!


Num lugar muito longínquo, havia um menino muito esperto. Tinha um pouco de altista, o seu foco de longe ou perto nas coisas era surpreendente, praticamente um especialista e sua adesão às pesquisas era de um modo até eloquente.

Não demorou muito para que a população em seu derredor já o batizassem de Conhecedor Mor. Tudo que descobria, a mente absorvia e já devolvia a todos como um conhecimento e tudo de cór.

Seu nome era incomum em relação aos Pedros, aos Josés e aos Joões, quis o destino que um fino erro ortográfico, de um escrivão do cartório, propagasse as nações o seu imaginado nome Mário, transformado depois do erro em "Nário" e também quis a Providência que a sua vida se pautasse sempre no conforto e na ignorância dos destinatários!

As suas descobertas chegaram a um ponto de serem abertas para as pessoas espertas em um livro e muito conhecido no mundo inteiro! Como manda o compartilhar de um mundo moderno e assim se sucedeu até no mundo virtual. O Google que confirma essa premissa.

Quando caminhava pelas ruas, atendia à noite ou de dia as agonias provocadas pelas ignorâncias espalhadas pelo mundo de meu Deus e de muitos outros deuses dos outros. Algumas frases criadas para orientação, já nessa época e em outras, que elevaram e levaram o seu nome, sempre atrelado a algum conhecimento.

Era comum se ouvir:
- Pergunte ao Nário!
- Veja o que o Nário disse!
Com o tempo se eternizou na frase:
- O que disse o Nário???

O capital chegou, viu, gostou dos feitos e dos efeitos, analisou sob o prisma de um negócio lucrativo. Investiu numa gráfica de papiro e massificou suas descobertas, depois de muito marketing e propagandas sob a palavra secularmente conhecida como Dicionário!

E assim, por séculos e séculos amém, disse o Nário!!! E continua graça aos assassinatos das ignorâncias deste mundo de violência sobre a Língua.
Se o leitor não concorda, pegue o livro e veja o que Disse o Nário!
(Santiago Derin)

quinta-feira, 23 de março de 2017

A imagem não sorriu

A imagem não sorriu


Levantou de manhã apressado, olhou no espelho, cumprimentou a própria imagem e lhe desejou sorte na batalha na selva de pedra.

Apertou suavemente a velha conhecida pasta dental, retirou-a com um leve roçar da escova. Esfregou a escova nos dentes, como se quisesse lavar também as palavras que usaria nas hipóteses de argumentação.

Esquentou o leite no microondas, em seguida colocou uma colher de café solúvel. Abriu o pão amanhecido e o recheiou com várias fatias de mortadela. Naquele momento passava na TV a operação da Polícia Federal "Carne Fraca".

Ouviu que a mortadela que comia, era feita com carne estragada. Olhou nela com repugnância, torceu o nariz, balançou a cabeça negativamente, entretanto abriu a boca e meteu com vontade os dentes naquela metade restante do lanche.

Pensou "Ela é muito melhor que a cocaína...". Vestiu-se rapidamente, pegou os pertences, olhou sobre a mesa, escolheu, entre três identidades, aquela mais conveniente e saiu.

Onze horas já estava no banco da praça a espera de seu trabalho. Não demorou muito, apareceu um rapaz que se sentou ao seu lado e conversaram sussurradamente por meia hora.

Uma hora depois estava com o indivíduo num restaurante de baixa categoria e comeram arroz com feijão e carne moída com batata. Naquele momento a televisão transmitia em segunda edição a operação "Carne Fraca".

Enquanto mastigava saborosamente a carne sem a batata, ouviu que colocaram na carne papelão moído como mistura. Olhou no prato, torceu o nariz, remexeu a carne à procura do papelão. Não o achou.

Encheu várias colheradas de carne e as mandou em direção ao estômago, mas antes pensou "Ela é melhor que a cocaína!". O seu acompanhante ficou o tempo todo no celular em negociação.

Findado a negociação e a refeição, foi informado que viajaria a negócio para a Itália. O negociante saiu e rapidamente voltou e lhe deu um pacote. Marcaram um encontro para o outro dia no aeroporto.

Com o pacote sob as axilas, que poderia ser sovaco pelo cheiro do desodorante vencido e fora da validade, e em função disso, danificaria a pele e posteriormente a carne, segundo a Operação "Carne Fraca" da PF.

Seguiu para a sua casa descansar para a viagem no avião. Morria de medo de altura, preferia comer toda a carne apreendida pela PF. brasileira, até beber suco de cocaína, mas avião era um tormento de cabo a rabo. A única motivação era somente a grana daquele trabalho.

Rezou pedindo sorte para o dia seguinte e foi dormir. Teve um sono conturbado. E, no sonho, no meio da Operação da Policia Federal era um dos envolvidos. Seguidamente o acusavam de assassino em massa, pelo fato de usar mistura proibida com produtos químicos.

Dormiu. Acordou assustado. Dormiu novamente. Acordou não tão assustado. Dormiu...

Acordou de manhã, desejou um bom dia a própria imagem. Fez sua higiene pessoal. Deu um sorriso ao espelho e saiu ver outros preparativos. Achou que a imagem não lhe sorriu.

Levado pelo horário, não voltou para certificar se a imagem não lhe sorriu. Levou na brincadeira, poderia ser que o espelho fosse resultado de algumas mutreta, semelhante as das carne, das empresas misturarem alguma coisa na produção do espelho, elas só pensam em lucro e não nos humanos.

Sem delongas. Engoliu vários pedaços de uma refeição bem diferente. Pensou " Na vida a gente tem que, de vez em quando, engolir sapo". Um carro foi busca-lo e o levou até o aeroporto.

O indivíduo da praça já o aguardava ansiosamente e nervosamente no saguão. Achou esquisito, lá dentro era estranho estar suado. O ambiente era com ar condicionado! Deu de ombros para o observado. Recebeu a orientação e as passagens de ida e volta e seguiu para o check in.

Subiu na aeronave e partiu para enfrentar o medo nas alturas. A sua poltrona era no lado da janela. A curiosidade e o medo de olhar por lá fora o estressavam, ora a curiosidade vencia o medo, ora ela era vencida por ele. A viagem seguiu com essa luta interna.

Quando o comandante anunciou a aterrissagem, o medo assumiu o comando da situação. Sensações estranhas se acumulavam: cãibra nas pernas, coração acelerado, arrepios de frio, o corpo gelado aí foi quando sentiu que no estômago a última refeição brigava com a carne moída com batatas.

Suas pernas começaram a tremer, seu abdômen a inchar até seu corpo desfalecer. O aeroporto foi se aproximando aos poucos até o avião pousar.

Rapidamente veio um ambulância, chamada pela tripulação, que o levou ao pronto atendimento do aeroporto. Os médicos chamaram a Polícia Federal da Itália. Tinham encontrado 40 pacotes de cocaína no estômago do coitado do falecido. A razão era que dois deles estouraram e se misturaram com a carne e a batata e, por conseguinte, provocaram aquele infortúnio. A mistura proibida venceu o medo pela ineficácia da proteção da embalagem de papelão!
(Santiago Derin)

domingo, 12 de março de 2017

O problema do Zé

O problema do Zé


Era sábado de carnaval. O Zé se aprumava em pé perto da porta da sala, lado de fora, sentou-se na cadeira de plástico, tirou os chinelos, pôs um sobre outro em forma de cruz e acendeu um cigarro.

Pelo viés da porta enxergava na TV as imagens do carnaval. Lembrou-se das pingas, das mulheres, dos repiniques, dos ganzas daquela boa época.

Não foi muito longe nas memórias, sua mulher passou e desfez a Cruz Chinelal.
Ele não gostou do que ela fez, a cruz era dele, era ele quem deveria desfazer a cruz, não ela! A cruz não era dela!!!

Não queria se aborrecer! Jogou o toco de cigarro no chão e foi apagar com pisão forte. Seus chinelos não aprovaram essa ideia. Achou melhor esse não. Balançou a cabeça para o aborrecimento resfriar. Não queria se apoquentar.

Tentou engatar uma quarta marcha e desembocar naquele carnaval antigo, da escola de samba antiga, daquela cabrocha antiga, dos problemas antigos, entretanto a imagem da sua cruz feita pelos chinelos havaianas, agora desfeita por sua mulher, não saia da sua cabeça, atrapalhou os pensamentos e agora também ela não saia da sua cabeça.

O problema era do Zé, por que ela tinha que mexer? Se o problema era do Zé, então era problema do Zé!! O Zé que se vire com o problema!!!

Num soslaio, a mulher olhou para Zé e disse:
- Sarou?

O Zé olhou para ela e, com os dentes cerrados, replicou:

- Você mexeu com problema do Zé e se o problema é do Zé, é o Zé que resolve!!!

- Para de resmungar aí, tá atrapalhando a TV!

O Zé, só de pirraça, cruzou os chinelos novamente.

Num repente veio o mal balançando negativamente a cabeça e descruzou os chinelos e, com as mãos na cintura, finalizou com uma frase de efeito:

- Tá chamando a morte, imbecil? Tá sem sal? Vai tomar uma no bar que sara!!

O Zé olhou para aquele monte de pano obesial que se afastava, enfiou a mão no bolso, retirou a grana, contou seus trocados, pensou nas vantagens de cruzar os chinelos no bar do Último gole!

Lá era a verdadeira Pasárgada, era amigo do dono, o problema do Zé, era do Zé e mais protegido do mal. Cortaria o mal pela raiz! Foi-se.
(Santiago Derin)

De ponta cabeça (desafio de leitura à moda sertaneja)

De ponta cabeça (desafio de leitura à moda sertaneja)

Eu não sei, eu sou um caipirão do sertão das vereda, daquele do Guimarães Rosa, mais tenho a minha razão. Mais acho que o mundo tá virado de ponta cabeça, até parece coisa de avestruz, que enfia a cabeça no buraco e qué vê com o trazeiro a coisa descambá. Eu sou das antiga e desconcordo dessa picada feita na floresta de pendenga pindurada, que o homem tá criando!

Quem tem mulher namoradeira fica peleiando na cabeça e não toma juízo, prefere tomá um pingão e chorá as pitanga esfregando a barriga no barcão do bar. Ora por que judiá da coitada da barriga esfregando no cheiro de outras dela? Se fosse eu, resolvia a pendenga desse burro empacadô! Chegava a espora nele e fazia ele rebimbá e depois cortava a muié no coro mandava campear o seu vagalume no meio da escuridão.

A roça não pode se perdê no mato! “Mais o fejão cria de tudo” Você pode falá. Mais quarqué pião do trecho se atina, que a roça só melhora, se cabocro cuidá!

No caso de sogra increnquera, por exem, eu dava um laço dobrado e arrastava a cobra na soquera de mio, até saí a casca da venenosa, misturado com o leite do veneno ilamiado de sangue pelo coro! Se eu sô casado então, a muié é minha até que a morte me separe e boi não lambe e nem sogra põe a sua cuié, se a sogra qué por a sua cuié, que ponha na casa da outra fia, porque nesta mando eu.

No meu tempo, quando ia no pagode, o respeito era alí na chincha. Muié e fia fica na medida do laço do zóio do marido. Quem cuida da roça, tem bonança.

Hoje as mocinha da cidade vai no pagode de minissaia com as canela lisa quem nem parmito e se acha que é bonita mostrando as magreza pelos cambitos! Nem sabe sentá direito e cruza perna pra não mostrar as vergonha branca, preta, amarela ou seja lá que cor for, o tamanho da vergonha é tão pequena que nem cobre a vergonha inteira e ainda dão o nome de fio dental. Fio dental é para o vão dos dente e não para o vão das perna. Ora tenha paciência!! Tão perdeno a roça no mato!!!!

A gente tem que tê ciência de que cano de ispingarda não vai torneira, e que porca de parafuso não dá cria! Mão de pilão não joga peteca e que cabo de inxada não tem divisa! Tem que tê ciência que as menina do zóio não tem boneca e que bala de revórve não tem açucre! Se na casa de Joâo de Barro não tem gotera é porque ele cuida e a sua muié toma a sua linha!

Mais o que mais se vê, é todo mundo caí nessa gandaia de balada, de corpo bronzeado e de minissaia. Na parte da frente não tem pano e na parte de trais tamem não tem. Sai sacolejando as anca de um lado pro outro como potranca no cio a desfilá pra todos os zóio gordo da redondeza. Arguns cresce o zóio, que parece binóclo e torce pra ventania levantá o pano do circo pra vê a coisa colorida!

Até na moda sertaneja tão mexendo! Sertanejo universitário, sertanejo da cidade, sertanejo que não é sertanejo. Sertanejo é RAIZ. Só tem hoje, é violero embruião que fica quebrando verso pra enganar no vazio da canção, olhe isto:

“ Sem você do meu lado
sou um cara estressado,
com você eu sô otro
eu quero ser o seu potro,
vô escrevê um lindo verso
no verso da suas costa,
só pra vê se você gosta”

Isso é verso que apresenta?

Esse violero embruião,
eu ponho na parma da minha mão
e fico batendo parma até aprendê fazê versos bão!

A gente tem que cuidá da roça ou vai perdê a roça no mato.
(Santiago Derin)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Entrevista na Revista Digital - Boletim Salesiano

http://livrodigital.edebe.com.br/boletimsalesiano/webview.html#com.edebebrasil.07.11.002016

Entrevista no Boletim Salesiano - Click no link



http://www.boletimsalesiano.org.br/index.php/component/k2/item/7345-educador-como-vocacao

http://www.boletimsalesiano.org.br/index.php/noticias-bs/item/7546-aluna-da-rse-vence-concurso-de-literatura-infantojuvenil





A aluna Giovanna Benetti de Almeida Alves, do Colégio Salesiano São José de Sorocaba, SP venceu o IV Concurso Nacional Literário Infantil Espantaxim e o Castelinho Mágico na categoria Redação.
Motivados a escrever, alguns alunos do 7º ano interessaram-se pelo concurso e, sob a orientação do professor Ademar Oliveira de Lima, escreveram sobre o tema “Brasil, gigante pela própria natureza”.

domingo, 11 de dezembro de 2016

A leitura como sofrimento diabólico

A leitura como sofrimento diabólico

Salão Vermelho do Inferno

Capeta Mor em Entrevista coletiva

Cerimonial do Inferno - Bom dia Senhoras e Senhores jornalistas, a entrevistas de hoje vem na direção de atender aos anseios da nossa comunidade. Dada a relevância do fato e sem me alongar muito, passo a palavra ao excelentíssimo Sr. Diabo Mor, O Capeta!

Capeta Mor: Como sabem o inferno está em crise. Por esta razão me dispus a falar com a imprensa. É de meu costume não levar preocupação a nossa comunidade, mas desta vez o Brasil extrapolou é vai fazer de nós a próxima vítima.

Jornal Boca do Inferno: Quando da discordância com Deus, no começo do mundo, em que o Senhor saiu para montar o Inferno, já imaginava chegar a esta situação?

Capeta Mor - Quando saí do céu com a incumbência de tentar o ser humano, eu não imaginava que seria um sucesso, eu não imaginava uma globalização e deu no que deu. Crise sem precedente.

Jornal Tridente com fogo: Mas crise todos os setores tem, portanto falar em crise sem precedente é ignorar que existiu Judas e Ali Babá e seu 40 ladrões. O Senhor concorda com essa afirmativa?

Capeta Mor. - Quando Judas traiu Jesus Cristo por um punhado de dinheiro, foi a nossa primeira crise. O dinheiro ganhou a cabeça das pessoas e o inferno tornou-se a moda da época! O pecado era individual. Com Ali Babá o pecado virou coletivo! A caminhar neste prisma, imaginei que não haveria Inferno que suportasse esse crescimento assustador. Na época tivemos de pensar numa rápida modernização do Inferno!

Jornal Labareda : Com todas essas crises o que de ensinamentos foram extraídos e que poderia ser aproveitado para a comunidade inferniana? E que aprendeu nestes séculos em gestão estratégica?

Capeta Mor. Confesso que me surpreendeu muito essas mudanças. Nos primórdios, eu comecei sozinho, tentava um aqui outro acolá sem muito sucesso. O pessoal era muito religioso e eu não tinha muita habilidade nessa área. Foi um luta de perseverança, Deus sabe disso! Ele acompanhou o meu sofrimento! Hoje considero que o Inferno está bem estruturado, mas para o que virá, não temos condições imediatas de atender os que vão chegar nos próximos anos e oferecer um castigo justo com todo o calor infernal e as técnicas de fazer sofrer ainda precisamos de investimento, apesar dos patrimônios dos condenados ricos e milionários serem considerável, porem são minorias e que distribuídos numa escala quase democrática ainda é um sistema carente do calor do fogo.

Jornal Fogo do Inferno - Qual é a evolução tecnológica que o Inferno oferece aos seus condenados? Ela atende hoje de maneira razoável os seus detentos?

Capeta Mor. - Antigamente, o nosso atendimento era com fogueirinhas com gravetos aqui e acolá. Depois investimos na plantação de eucalipto, daí o calor aumentou consideravelmente. Depois mudamos a disposição das fogueiras, chegamos a fazer rodas de fogueira, depois corredores de fogueiras e hoje temos dois andares de mármore quente para atender os pecadores de alta periculosidade!

Jornal Carinho de Fogo - Pelo seu relato ainda o inferno está devendo em tecnologia. Há outras modernizações a serem implantadas?

Capeta Mor. Há uma série de modernização a ser implementada, mas eu não sou um Deus que estala os dedos e a coisa sai pronta do nada. A batalha é grande, tem que haver investimento. Nossa clientela é de desonesto e negociar com eles não é fácil. A corrupção também chegou no Inferno e eu dependo das empreiteiras para ampliação! Deus tem o paraíso, eu não tinha nada, o que consegui, foi através dos bens dos condenados! Logo terei problema de espaço físico! E é esse o meu problema mais imediato! Há previsão de um setor com fogo elétrico, fogo a gás, fogo com energia solar, produto embalado com ar quente e por aí segue, mas não será o suficiente para atender a demanda de pecadores que chegam ao Inferno todos os dias. Já desburocratizamos o máximo e ainda vamos rever alguns entraves!

Jornal Fogo Intelectual - Pela sua explanação, não percebi um atendimento diferenciado aos intelectuais condenados, há uma previsão de atender esse segmento?

Capeta Mor. - O mundo também mudou nesse aspecto. Antigamente o homem vivia nas trevas, em total ignorância. Depois da invenção da escrita o homem ficou mais esperto. Aliás o esperto ficou mais esperto. Aprendeu a ler e condenou o restante à ignorância (Inferno na terra) por falta de investimento na Educação para que pudessem dominar os demais. Ignorância não é virtude é um pecado do comodismo em função disso tivemos que criar os trabalhos físicos e o artesanato. Embora com a globalização da informação e de em alguns países ter melhorado o sistema educacional muito via Enem - PróUni e Fies e outros mais programas praticados no Primeiro Mundo provocou um aumento considerável em formados em nível de Terceiro grau. Estamos pensando até em criar um programa de Mais Escritores aqui no inferno com condenados intelectualizados para criar livros que apliquem o sofrimento intelectual. Em resumo uma biblioteca com assuntos do Inferno. Há no projeto até uma TV Infernal.

Jornal Inferno do mundo Real - Na terra discute-se muito a questão da previdência, já existe um pensamento para resolver de vez essa questão. Há algum direcionamento para a solução desse problema no Inferno?

Capeta Mor - Gostei de um exemplo vindo do Brasil. Vou criar um Departamento de Relações Institucional para dialogar sobre os problemas comum entre o Céu e o Inferno. A questão da Previdência aqui é um inferno! Deus criou o pecado original e o eterno, diante disso imagine o "Se vira nos trinta" aqui no Inferno. Como só aumenta a quantidade de condenados, estamos pensando conversar com um Representante de Deus para liberar alguns com tornozeleira eletrônica para o Purgatório e alguns detentos com psicopatia para o Céu, porque o castigo para incapaz não tem sentido, uma vez que não tem consciência do pecado e nem do castigo! Ou uma revisão da morte. Dar a chance de morrer de novo e sair do Inferno. Aliviaria bem o espaço prisional e conseguiríamos atender a essa alta demanda!

Revista O Inferno da Economia - Quanto ao aspecto Econômico eu não ouvi nenhuma citação, esse ignorar do importante aspecto dá a impressão que a economia vai bem. É de fato essa beleza?

Capeta Mor - Uma beleza é só no Céu. No Inferno é semelhante ao sistema da terra. A mão de obra não está fácil, estamos com carência de esteticista, maquiadores produtos de beleza e equipamentos à fins! Nós desenvolvemos um castigo chamado Fogo do Ego é um sofrimento aplicado nas condenadas de classe média e rica, ele consiste em embelezar a mulher pobre para provocar a inveja e a ira nas mulheres que viveram esse tratamento de beleza na terra e provocar a dor do sentir o drama de quem nunca teve esse sofrimento! Estamos aguardando verbas, por isso já temos alguns projetos para o incentivo a vários setores desse seguimento! Estamos também investindo na era virtual. Vamos utilizar esses jovens recém chegados para gerenciar a aplicação da ilusão de ótica no condenados masculino com chuva de dinheiro e mulheres nuas. As nossa bebidas serão reformuladas! Já há um projeto piloto em estado avançado de pesquisa, batizada com o nome de Capote de Fogo! E assim vamos agregando conhecimento e modernizando. Nossa clientela é composta de maioria de idosos! Os mais novos só vem para cá em caso de acidentes! Portanto a comunidade tem experiencia, mas anão traz modernidade!

Revista Pecadores Amenos - Como estratificação aqui no Inferno classes de pecadores ou outra forma de segmentação?

Capeta Mor - No começo eram duas divisões os espertos e os ignorantes. Depois criamos a classe do condenados mantenedores. Algum tempos depois criamos a classe dos pecadores contumaz. São aqueles que acham que sofrem mais dos que os outros. Sabe aquele que quando ouve o sofrimento alheio e diz "Isso não é nada, o pior aconteceu comigo" eles provocam stresses nos nossos colaboradores reclamam que sofre menos que os demais e que o sistema é injusto! E estamos estudando uma estratificação melhor para atender outras exigências de outros segmentos!

Revista dos Excluídos - Há um pensamento no Céu, segundo fontes confiáveis, que o Inferno infiltrou um espião para roubar tecnologia e desestabilizar o Reino Divino! Essa informação é verídica?

Este é apenas um fragmento! Para ler a entrevista completa, sem censura, aguarde o Livro em Fevereiro de 2017!
(Santiago Derin)

domingo, 27 de novembro de 2016

Peça teatral - Programa de Rádio

Peça teatral – Programa de Rádio
Autor: Santiago Derin

( A personagem está com um fone de ouvido no palco sentado à mesa da rádio)

Diego Dias – simular um Stúdio

Ola, amigos ouvinte da Rádio Pedra Preta de Sorocaba!  Aqui que fala é Diego Dias o seu locutor, aquele  que alegra as suas tardes de sábado com a melhor programação de música e este é “Ao pé do ouvido”  o seu melhor programa vespertino da rádio brasileira.

Esteja onde você estiver: na sua casa, no seu carro, no seu trabalho ou no seu lazer. Nós estaremos com você por duas horas levando-lhe, o melhor som ao pé do seu ouvido e as mais importantes notícias: local, nacional e internacional!
Sempre  sob o patrocínio da Padaria Pão de Bengala o melhor pão da região!

“ Se você quer pão, leve o pão do coração da Padaria Pão de Bengala! Além da qualidade, ele é feito com perfume e com o coração da famosa nutricionista: Maria Flor!”

E agora vamos falar diretamente com o nosso repórter Bruno Cabral que está neste momento na quadra do Colégio Salesiano São José, no Mangal, na cerimônia de autógrafos do Livro Jovem 2016!  
Bruno Fala aí me Rei Pórter!!!!

Bruno Cabral (repórter está na quadra do Colégio em frente ao público com transmissão ao vivo da cerimônia)
Fala meu amigo Diego Dias!

Diego Dias - Diz aí Rei Pórter, como está a festa por aí! Já começou?

Bruno Cabral - Já e está bombando! As arquibancadas estão lotadas de leitores, pais, avós, parentes e sem contar os convidados. Para você ter uma ideia, vou pedir para a galera da arquibancada mandar um alô para você no Studio !
- Quem está gostando faz barulho aí!!!
Bruno Cabral - Ouviu meu Louco Tor Diego Dias????

Diego Dias - Ouvi ,meu Caro Rei Porter Bruno Cabral! Esse grito é conhecido, são dos clientes da Padaria Pão de Bengala!! Gostou da frase?

Bruno Cabral - Gostei!! Meu Caro Louco Tor. Além de serem clientes da Padaria Pão de Bengala, são leitores do Livro Jovem do Salê!

Diego Dias - Bruno! Bruno, Alô Bruno!

Bruno Cabral - O sinal está ruim, não estou te ouvindo... Mas vou seguindo daqui, sempre com o patrocínio da Padaria Pão de Bengala!

Diego Dias - Bruno está me ouvindo?

Bruno Cabral -  Melhorou meu Louco Tor! Fala aí!

Diego Dias - Você tem alguma entrevista pronta?

(Repóprter chama Maria Carol da plateia para uma entrevista ao vivo)

Bruno Cabral - Tenho! Tenho aqui ao meu lado uma Garota muito bonita que é ouvinte da Radio Pedra e adora o nosso programa! Como é o seu nome?

Maria Carol - Maria Carolina....!

Bruno Cabral - Qual é a razão fundamental da sua presença hoje aqui?

Maria Carol - Vim prestigiar a minha amiga Giovanna, que é autora de um dos textos do Livro Jovem!

Bruno Cabral - Manda um abraço para sua amiga!

Maria Carol - Giovanna Beijos!!!!

Bruno Cabral - Pede uma música para tocar em nosso programa!

Maria Carol - Eu queria ouvir à música “ Fico assim sem você” !

Bruno Cabral - Você acabou de dizer que queria ouvir a música, então não quer mais?

Maria Carol - Claro que quero ouvir a musica sim, mas eu posso fazer um pedido bem especial para o melhor programa da tarde brasileira?

Bruno Cabral - Diego dias diz aí meu Louco Tor!

Diego Dias - Meu caro Rei Pórter o nosso ouvinte não pede, ele manda!

Bruno Cabral - Então Maria Carolina pode pedir!

Maria Carol - Antes de tocar a música, eu posso declamar a letra da música para dar mais emoção?

Bruno Cabral - Meu amigo Louco Tor, ela quer declamar a música! E eu vou pedir a ela que, no microfone, da Rádio Pedra Preta para todos os ouvintes  do Programa “Ao pé do ouvido!! “
Galera da arquibancada o nosso silêncio de respeito aos sentimentos de emoção da nossa Declamante Maria Carolina!

Maria Carol  (Declama a música)

Bruno Cabral - Meu grande Louco Tor, é só a Nossa Rádio que consegue levar emoção e diversão intelectual de alto nível! Com você meu caro Diego Dias!

Diego Dias - Valeu Bruno Cabral O Rei Porter! Agora com vocês ouvinte  a música “ Eu fico assim sem você!

A música será interpretada ao vivo por uma cantora.

Fim